top of page

Wille Muriel - Diretor Executivo da Carta Consulta


Ao refletirmos sobre essa afirmação, somos levados a considerar a essência do que significa realmente valorizar a educação e o impacto que ela tem na vida das pessoas.


A verdadeira luta está em assegurar que o tempo que as pessoas se dedicam à educação seja significativo, enriquecedor e transformador, tanto para alunos quanto para professores e gestores das IES.


O tempo é um recurso finito e precioso. Cada hora, cada minuto investido em aprendizado deve ser valorizado, pois é uma parte irrecuperável da vida de uma pessoa. Quando lutamos pelo tempo das pessoas, estamos lutando para que esse tempo seja usado da melhor forma possível, proporcionando experiências de aprendizado que realmente importam, que toquem o coração e a mente, e que preparem os indivíduos não apenas para o mercado de trabalho, mas para a vida como um todo.


Essa reflexão também nos leva a considerar a qualidade da transformação. Não basta ter acesso à educação; é crucial que essa educação seja de alta qualidade. Devemos lutar por propostas que sejam relevantes e engajadoras e por ambientes de aprendizagem que sejam acolhedores e desafiadores.


Esta frase nos lembra que, no centro de todo o sistema educacional, estão as pessoas – com suas histórias, sonhos, desafios e potencialidades. Lutar pelo tempo das pessoas é reconhecer e respeitar suas trajetórias individuais, adaptando práticas de aprendizagem para atender às suas necessidades e interesses, algo que faça sentido para elas.


Ao internalizarmos essa mensagem, podemos transformar a maneira como enxergamos a educação. Podemos nos mover em direção a um sistema que priorize o bem-estar e o crescimento integral dos alunos, reconhecendo que o tempo deles é valioso demais para ser desperdiçado. Ao fazermos isso, estaremos não apenas melhorando a educação, mas também contribuindo para uma sociedade mais justa, equitativa e iluminada.


A propósito, obrigado pelo seu tempo!




"A verdade vos libertará" é uma frase encontrada na Bíblia. Penso que muitos já ouviram falar nela. Atualmente, a frase ganha ainda mais relevância, destacando a importância do discernimento e da busca por fontes confiáveis e verídicas. Pois então, o que isso tem a ver com o IDD?


Tenho acompanhado alguns discursos que ecoam e reverberam alegando que, no IDD, os estudantes do ensino a distância (EaD) obtêm resultados positivos maiores ou similares aos do ensino presencial, com melhorias significativas. Para quem "caiu aqui de paraquedas" e não sabe (ou não lembra), o IDD é o indicador que busca "mensurar o valor agregado pelo curso ao desenvolvimento dos estudantes concluintes".


Pois bem, vamos aos dados brutos e duros (sem cortes ou recortes), como todo bom pesquisador deveria fazer. Primeiro olhamos o cenário global, depois podemos até afunilar e fazer alguns experimentos em cenários específicos. Porém, fazer isso sem avisar o leitor é, no mínimo, tendencioso.


Os dados referentes ao Índice de Diferença de Desempenho (IDD) no período entre 2018 e 2022 são marcados por quedas expressivas, tanto no ensino presencial quanto no ensino a distância (EaD), revelando uma tendência preocupante no desempenho acadêmico.


O IDD médio diminuiu de 2,4853 em 2018 para 2,0893 em 2022 no ensino presencial, e de 2,2111 em 2018 para 0,9203 em 2022 no EaD:


⬇ Variação Presencial = ((2,0893 - 2,4853) / 2,4853) * 100 ≈ -15,87%

⬇ Variação EaD = ((0,9203 - 2,2111) / 2,2111) * 100 ≈ -58,41% (😲)


No ensino presencial, o IDD médio diminuiu de 2,4853 em 2018 para 2,0893 em 2022, representando uma queda significativa de aproximadamente 15,87%. Esta redução drástica indica uma deterioração substancial na capacidade dos estudantes em demonstrar progresso acadêmico ao longo do período analisado.


Entretanto, a situação no ensino a distância (EaD) é ainda mais alarmante. O IDD médio neste contexto diminuiu de 2,2111 em 2018 para 0,9203 em 2022, resultando em uma queda extremamente acentuada de aproximadamente 58,41%. Essa queda vertiginosa aponta para uma séria deterioração no desempenho dos estudantes no EaD, levantando sérias questões sobre a eficácia dos métodos de ensino e a qualidade do aprendizado proporcionado nesta modalidade.


Esses números sublinham a necessidade urgente de revisão e aprimoramento das políticas públicas e das estratégias educacionais, tanto no ensino presencial quanto no EaD, visando reverter essa tendência preocupante de queda no desempenho acadêmico. É essencial que sejam identificados os principais fatores que contribuíram para essa diminuição e que sejam implementadas medidas corretivas eficazes para garantir um ambiente de aprendizado mais produtivo e de alta qualidade.


Qual a conclusão? O "valor agregado" pelo curso à formação do estudante está em queda livre...



Wille Muriel - Diretor Executivo da Carta Consulta


Na gestão universitária, nada pode ser mais subversivo do que uma ação da tecnologia, eu suponho. E venho dizendo isso já há muitos anos em vários encontros com amigos que trabalham na gestão das universidades aqui no Brasil. Ao longo dos anos, esta capacidade de subverter a ordem estabelecida vem sendo aprimorada e ficamos cada dia mais competentes para mudar praticamente tudo por meio da tecnologia.

 

Por outro lado, temos a força da cultura universitária que estabelece limites e tem sido refratária àquilo que não lhe parece relevante sob o aspecto científico. É o papel da universidade, ou seja, buscar a certeza e relevância socioeconômica e científica pelo método, promovendo a pesquisa e a extensão.

 

Só que a conta não fecha como antes para as universidades que não conseguem mais se estabelecer sobre o tempo das pessoas. Não dá para cobrar das pessoas aquilo que elas não têm mais: tempo. Segundo o site Olhar Digital, o jovem brasileiro da faixa etária entre 17 e 25 anos passa, em média, 3 horas e 30 minutos por dia conectado em redes sociais. Só no Instagram, eles cumprem uma média de 1 hora e 32 minutos por dia. Fico a imaginar o desempenho acadêmico que teríamos se este tempo fosse diariamente empenhado em estudos de conteúdos científicos, projetos de extensão e pesquisa. Imagino o impacto positivo dessas pessoas na sociedade e no mundo do trabalho. Será que o entretenimento tomou conta do tempo das pessoas na medida em que elas percebem que isso gera mais valor do que uma experiência na universidade? Ou será que elas percebem a diferença, mas perderam a capacidade de controlar o próprio tempo no dia a dia? E, no caso brasileiro, além do tempo nas redes sociais, os jovens também precisam trabalhar para cumprir cargas horárias de estágio ou para gerar renda e financiar os estudos, e isso representa mais um concorrente do tempo para a universidade.

 

A universidade precisa repensar o seu lugar num ecossistema midiático complexo em que tudo concorre pelo tempo dos alunos (e dos professores), pois a tecnologia abriu uma porta para aquilo que eles mais gostam de fazer: conhecer pessoas novas, conversar, divertir, estabelecer associações e relacionamentos interessantes. Quando são jovens, não percebem com clareza a importância do tempo e nem a sua velocidade, e valorizam mais os conteúdos bem envelopados das redes sociais do que o design ultrapassado das universidades. A tecnologia subverteu o comportamento das pessoas na universidade quando se estabeleceu num vazio midiático já antes indicado pelos próprios acadêmicos. O conteúdo (raso e não raso) disponível e organizado pela tecnologia vem recoberto de elementos engajadores, estrategicamente estruturados por processos que se aprimoram no tempo. E a gestão da universidade tentando entender tudo isso, reduzindo custos operacionais para competir com outras universidades e agora até com os cursos livres da web, investindo milhões em divulgações para captar alunos ou, no plano acadêmico, montando call centers para dar tutoria acadêmica em até 24 horas para seus alunos da EaD.

 

A gestão da universidade busca soluções velhas para resolver questões do presente e do futuro. Mentalidades ultrapassadas transformaram sua oferta em um grande mercado de commodity, e agora tudo parece desvalorizado – as margens de contribuição por curso em portfólios extensos indicam quem sustenta a graduação nas universidades: Medicina? Medicina Veterinária? Direito? Pouquíssimos cursos ainda são viáveis.

 

A universidade precisa compreender que a mesma tecnologia que subverteu o comportamento dos acadêmicos também pode substituir mentalidades envelhecidas por propostas mais ousadas e que graças à tecnologia, isso não significa correr riscos maiores dos que a universidade já está correndo – o risco de não mudar é imenso. Contudo, e considerando todas as possibilidades tecnológicas do presente, não é difícil perceber que mudar nunca foi tão viável.

bottom of page